Parar ou não parar: Eis a questão.

Ontem à tarde, corri minha primeira prova depois da lesão no meu pé esquerdo. Quando foi diagnosticada a sesamoidite, eu estava me preparando para correr uma Meia Maratona. Ontem, eu estava inscrita para uma prova de 10K (10.400m na verdade), na 6ª Etapa do Esquenta Panturrilha, Circuito de 10 provas organizado pela Nosso Time Eventos Esportivo, a mesma empresa responsável pela Meia de Curitiba, que seria a minha prova alvo do ano, que tive que desistir.

A organização estava perfeita. No Parque Náutico de Curitiba, lindo, com uma pista grande, larga, ótima para correr. O dia, também lindo, apenas muito quente e seco para os padrões curitibanos e o horário inusitado para uma prova de corrida: 16h00.

20140823_174946[1]

Apenas para registrar, vi algumas reclamações de quem não conseguiu retirar seu kit. Os kits estavam sendo entregues na sexta-feira e no sábado, até o meio-dia, na loja Procorrer da Augusto Stresser. Tal informação foi amplamente divulgada nas redes sociais (páginas da Nosso Time, do Esquenta e até da Meia Maratona de Curitiba) além de constar do regulamento e de mais de um e-mail enviado aos inscritos (eu recebi ao menos dois nesse sentido). No entanto, alguns corredores queriam retirar na hora, dizendo que em outras etapas foi possível…

Pois bem, deixo que cada um faça o julgamento que quiser, se foi falha da organização ou dos corredores…

 

Eu e meu marido, na frente, e o Cédric mostrando a língua atrás (pensa em um amigo pra todas as horas? Ele e a esposa, Mel, são assim!)

Eu e meu marido, na frente, e o Cédric mostrando a língua atrás (pensa em um amigo pra todas as horas? Ele e a esposa, Mel, são assim!)

Porém, quanto a mim, quando o médico me liberou para voltar a correr, as ordens foram claras. Iniciar devagar, a partir dos 3K, aumentando gradativamente e sem forçar no ritmo nos primeiros 30 dias, quando então deveria retornar para uma reconsulta para a liberação definitiva (ou não). Expressamente o médico determinou: Sem treinos de tiros, intervalados e muito menos provas nesse período.

Não resisti e, como sempre, solicitei minha inscrição para a prova de 10K. Meu marido, que sempre corria a prova de 5, estava inscrito pela primeira vez na prova de 10K também, depois de tantas lesões (desde que começou a correr há dois anos e meio, já se acidentou de moto e depois fratura por stress nas duas tíbias).

Com o calor (ouvi dizer 27⁰, que é temperatura de alto verão por aqui, jamais esperada para o inverno…), confesso que ambos pensamos em nem ir… mas fomos. E lá, o dilema era completar ou não a prova. Ele, que queria estrear na distância, não sabia se era o ideal com aquele calor todo… eu, desobedecendo técnico e médico, não sabia como lidaria com a questão: O que seria pior? Insistir e fazer os 10K pelo simples motivo de que “sou brasileira e não desisto nunca?”, correndo o risco de ir ao médico na segunda-feira (consulta já agendada) e escutar que devo parar novamente,  ou aceitar as ordens, fazer apenas os 6K da planilha, em ritmo leve, ser desclassificada da prova, não pontuar no ranking do Circuito mas pelo menos não levar bronca de ninguém e  ficar com a consciência tranquila de que fiz tudo que era possível para me recuperar?

Pois então… Dada a largada, decidimos correr juntos, meu marido e eu. Avisei que correria o tempo todo dentro do pace determinado pelo meu técnico para o treino estabelecido na planilha: 6K em 6min/km. A prova era de duas voltas numa pista de 5.200m.

Apesar do calor, consegui manter de forma tranquila o pace determinado (antes da lesão, corria em torno de 5’20”min/km, mas 6 estava bom…) O calor exigiu que nos dois pontos de hidratação por volta, eu desse pequenos goles d’água e o resto fosse jogado na nuca (#ficaadica para quem está começando…), mas a dúvida sobre parar ou não dominava o meu pensamento…

Ah, faltando um km para concluir a volta, consegui engolir um mosquitinho… kkkkkk Não parei, não diminui… tossi um pouco mas depois brinquei com meu marido que estava ao lado: “Tudo bem! É proteína extra pra dar força na prova!”….

Pois bem, ao concluir a primeira volta (5.200m) eu estava bem, inteira, e sabia que podia correr mais. Mas por isso mesmo, resolvi parar. Tentei incentivar meu marido a continuar, destacando que mesmo ele não tendo corrido no ritmo mais forte dele, ele estava muito melhor do que muita gente que ficou pra trás e soltei um “Taca-le pau!” para fazê-lo rir, avisando que pararia quando completasse os 6K da minha planilha.

Ele, então, finalmente acelerou, me deixando pra trás e eu fiquei de olho no relógio. Quando marcou 5.700m, eu simplesmente dei meia volta e corri os outros 300m pela grama, sentido contrário da prova (quem me viu, deve ter me achado louca… eu não estava mal, eu não parei, só corri no sentido contrário…).

A sensação foi estranha. Primeira prova que não completo na vida. E decidi por isso bem, sem dor. O “treino” estava completo. A prova não. Missão cumprida por um lado, um gostinho amargo por outro… Levei um tempo pra ter certeza que tomei a decisão certa. Terei a consciência tranquila na segunda-feira ao fazer o meu feedback, tanto para o Coach, como para o médico.

Fui fazer uma massagem no stand da Ademilar e depois aguardar, ansiosa, pelo maridão na chegada…

Massagem pós prova é tudo de bom!

Massagem pós prova é tudo de bom!

Com cerca de uma hora de prova (considerando que a primeira volta foi comigo) e debaixo de Sol forte, meu amor terminando a primeira prova de 10K (10.400m)

Com cerca de uma hora de prova (considerando que a primeira volta foi comigo) e debaixo de Sol forte, meu amor terminando a primeira prova de 10K (10.400m)

“Sou brasileira e não desisto nunca”, sim. Eu não desisto de correr e por isso optei por parar, de acordo com o estabelecido pelo meu treinador…

Anúncios

Corredores Anônimos

aa

Olá, meu nome é Carla e sou viciada em corrida.

Estou abstinente há pouco mais de 10 dias. Corro já faz mais de 2 anos, mas sempre achei que poderia parar a hora que quisesse, embora acreditasse que nunca precisaria… Essa história de dependência, achava bobagem… Corria por que gostava, por que me fazia sentir-me bem, mas daí a não poder parar…

Ocorre que finalmente veio a verdade. Uma lesão no pé esquerdo. Várias “ites”: Bursite, Sesamoidite… Talvez  causadas pelo meu outro vício (esse mais antigo, mas que foi agindo de forma silenciosa… o salto alto), mas acentuadas pela corrida e o recente aumento de volume de treino. O certo é que meu pé pedia um descanso.

O médico então me pediu para parar por 30 dias. Não, não é uma sentença de morte. Eu posso aguentar, pensei… um mês apenas, férias durante a Copa… Por outro lado, ele sentenciou, sim: Nada de Meia Maratona em Agosto. O recomeçar deve ser leve.

Não está sendo fácil. Sei que é algo razoavelnente simples e que estou fazendo “tempestade em copo d’água” mas chorei até algumas vezes. Até indo trabalhar de carro por alguém correndo na ciclovia…

Meu despertador continua tocando às 5h00 da manhã por que meu marido tem treino e eu levanto cedo para ajudá-lo com o café da manhã. E é difícil vê-lo sair e não poder ir junto e saber que também não irei à noite.

E confesso que deu uma desanimada também da academia. Eu sei que tenho que fortalecer os músculos para evitar novas lesões, mas o fato de não correr a Meia Maratona de Curitiba me abateu de verdade. Estou sim, fazendo musculação, mas perdeu um pouco a graça. Escrever no blog está mais difícil, mas o retorno dos leitores/seguidores por aqui e nas redes sociais é uma das coisas que me fazem querer continuar lutando e me esforçando. Eu só tenho a agradecer!

Semana passada iniciei a fisioterapia…  Até melhorou um pouco meu humor. Um passo de cada vez.
Não vou correr hoje. Só por hoje. É  essa a ideia. Dia após dia, até que o médico me dê alta…

Chupa essa barriga, mulher!

barriga-chapada-treinamento-funcional

Quando você corre, você lembra de contrair o abdômen? Não? O meu técnico sempre me orientou nesse sentido, mas a verdade é que nunca lembrava disso, preocupada com a passada, com o movimento dos braços, com a respiração… tanta coisa pra controlar quando a gente se dispõe a correr mais e melhor…

No mês de junho estive um pouco ausente do blog, muito por não saber o que falar… Cheguei a comentar que estava com medo de ter uma lesão mais séria e parti para uma verdadeira maratona de exames e consultas para descobrir que maldita dor era aquela do lado esquerdo, entre o abdômen e a virilha.

Então… Descobri. E não gostei muito da resposta. Foi diagnosticada uma “hérnia do esporte” (leia mais aqui) O nome é sugestivo e na maioria dos sites que li a respeito, diz que é mais comum em homens do que em mulheres e, principalmente, em atletas de alta performance.

Claro que tive que rir desta informação… Logo eu, pobre mortal, atleta amadora, e MULHER tinha que ser premiada?

O meu médico explicou-me que o estiramento dos músculos do abdômen normalmente decorre de uma predisposição mas que pode ter ocorrido o dano num único esforço maior que eu tenha feito (lembro que fiz um treino “Power” de agachamentos no sábado dia 11/05 e no dia 12/05 atingi minha melhor marca em prova de 5km, de forma que sei que dei realmente uma forçada naquele final de semana em que comecei a sentir dor) e que pode ter se estabilizado/cicatrizado por que a dor passou quando diminui a intensidade dos treinos. Mas também, este estiramento – que é uma hérnia insicipiente, muito pequena – pode evoluir para uma hérnia inguinal verdadeira, o que exigirá uma cirurgia e um mínimo de 90 dias sem treinar.

Assim, o médico liberou-me para treinar normalmente, mas pediu para voltar em 90 dias para novo ultrassom. Nesse período, ele poderá observar se os meus músculos do abdômen se recuperaram, se a situação se estabilizou ou se piorou.

Caso nos treinos eu volte a sentir dor, devo retornar mesmo antes dos 90 dias, para repetir o exame e, se for o caso, agendar cirurgia e evitar uma emergência.

Até lá, sabe qual é a recomendação? Treinar normalmente e… chupar a barriga! Abdômen contraído pra treinar sempre é o único jeito de tentar previnir… Então, #ficaadica !

Quem tem medo de lesão?

virilha

Acho que a Fer, em um dos seus primeiros posts por aqui, falou uma vez que todo corredor mais dia menos dia irá se lesionar… E, de fato, as lesões, na corrida, representam o grande Bicho Papão das conversas entre corredores…

Eu nunca quis acreditar muito  – mais uma vez batendo na mesma tecla – pois sempre defendi que se buscarmos ajuda profissional, tanto médica como principalmente de um educador físico, poderemos correr cada vez mais e melhor de forma segura.

No entanto, pela primeira vez, estou com medo.

No dia 12 de maio foi a Stadium Marathon, que, apesar do nome, era uma corrida de 5 ou 11K entre os estádios de futebol de Curitiba.

Corri os 5K, claro, e alcancei o meu objetivo de fechar a prova na casa dos 25’. Fiz 00:25:34.

No entato, depois da prova comentei com um dos técnicos que havia sentido um pouco de dor no abdômen.

Não dei muita bola, na verdade.

O problema é que essa dor, esse incômodo logo abaixo do umbigo tem persistido ao longo dessas últimas semanas. Sinto principalmente à noite, ao me virar na cama e ao alongar o lado esquerdo do corpo, o que está dificultando principalmente os treinos de musculação.

Nos últimos dias, começou a doer também a região da virilha… Talvez seja algo similar ao que a Helena do “Correndo de Bem com a Vida” já tratou aqui

Depois de muito adiar, fui num médico especialista em quadril na sexta. Ele me pediu uma ressonância magnética, bilateral, do quadril, além de um raio x. Mas além disso, pediu para que consulte outro médico, especialista em cirurgia do abdômen. Marquei para o dia do meu aniversário… De presente, espero boas notícias!