A saga do DIU

Então tudo começou assim:

Ano passado eu estava insatisfeita com meus resultados e em plena preparação para minha terceira e mais importante maratona. Eu sabia que, mesmo tendo cumprido 100% da planilha, tendo chego ao menor peso da minha vida adulta e ter me recuperado bem dos problemas de saúde anteriores ao ciclo (Leia aqui e aqui), ainda assim, com o pace que estava apresentado nos treinos, somente por um milagre eu atingiria o resultado sonhado.

Exames em dia, nutricionista, musculação… o que estava faltando? Em consulta com um médico do esporte, ouço a seguinte afirmação: “Não existe performance feminina com anticoncepcional hormonal”.

Ok, ok, calma lá! Mas se eu simplesmente parar de usar o anticoncepcional, uma eventual gestação e depois um bebê também influenciarão negativamente nos treinos, não? (e quando melhorar, sem novo anticoncepcional, já corro risco de repetir a dose!) Como resolver a questão?

No fim, a sugestão era DIU de cobre ou que meu marido fizesse vasectomia.

Meu marido se prontificou a fazer a cirurgia se eu quisesse, mas até para “apressar” as coisas, por que uma cirurgia não se faz de um dia para o outro, optei por tentar o DIU que, como descobri, também não se coloca da noite para o dia.

Pra fazer tudo certinho, procurei minha ginecologista, que preferia o DIU Mirena (que é também hormonal), me pediu exames e me deu material informativo sobre os dois métodos. Pesquisei bastante, conversei com várias mulheres, corredoras, pesei os prós e contras e acabei optando pela tentativa de retirar totalmente a utilização de hormônios e passar realmente para o DIU de cobre. Porquê? Só pela “performance”? Também por ela, mas por ver os resultados dos meus exames, como havia muita alteração hormonal e minha recente dificuldade de ganhar massa magra. Massa magra é de fundamental importância para qualquer mulher depois dos 40, não só para corredoras!

Assim, mesmo não sendo a opção da gineco, mas a minha, marcamos o procedimento.

O procedimento de colocação do DIU é relativamente simples e até pode ser feito em consultório. Porém, o meu plano só cobre se feito em ambiente hospitalar. Marcamos a data e achei excelente a opção. Na internet, encontrei vários relatos de mulheres falando da dor da colocação, embora rápida. Fiz com sedação e foi muito, mas muito tranquilo. Como marcamos para um feriado municipal – 25 de janeiro – nem perdi dia de trabalho.

O procedimento ocorreu na sexta de manhã e na sexta à tarde tive alta. No domingo, tinha uma prova de 10K. Havia sido alertada que poderia ter cólicas fortes, mas foi tudo tranquilo também nos dias seguintes. Por recomendação da médica, mantive o anticoncepcional até o fim do ciclo que já havia sido iniciado e fiquei realmente surpresa de não ter nenhum dos efeitos colaterais que tinha lido.

Pois bem, na sexta-feira seguinte, era a hora de dizer adeus aos hormônios. Final de semana ainda ok, até que na segunda-feira “desceu” litros e vieram as cólicas homéricas que haviam anunciado!

Eu estava ainda iniciando trabalho novo e ia para o escritório mal, com dor, sono, caindo sobre o computador, sem conseguir me concentrar. Foi uma semana horrível. E o que eu ouvia? Tá tudo dentro da normalidade.

Passou o “período” e tudo ficou bem. Vamos esperar a próxima, pensei. O mês de fevereiro seguiu e mais perto da data prevista, meu humor foi piorando. Uma sensação de “saco cheio” tomando conta e a vontade de comer doces e me jogar na frente da tv era cada vez maior…. alerta de TPM ligado! porém, a menstruação não descia.

Pra quem estava a tantos anos acostumada com a regularidade conferida pelos anticoncepcionais hormonais, pareceu uma eternidade a expectativa entre o 28° ao 35° dia, quando finalmente menstruei. Dia legal esse: Dia de longão. Óbvio que não rolou. Tentei. Fui até a USP, comecei a correr e fiz apenas 5K “na marra”. Conscientemente eu queria, mas não ia. Não tinha cabeça e as pernas pareciam pesar 2 toneladas cada uma. Bateu o desespero! Como posso ficar tão refém dos meus próprios hormônios?

Neste segundo fluxo, as coisas foram mais controladas. Sem grandes cólicas, sem maiores contratempos. E na terça-feira seguinte, os ânimos já estavam normalizados e os treinos retomados.

Ainda é cedo é pra fazer uma avaliação precisa quanto ao acerto ou não da troca de método. Se vou correr melhor ou não? Não sei. Mas resolvi contar por aqui a minha “saga” por que foi bem difícil encontrar informação de qualidade a respeito. Quais as reações? A vantagem é mesmo real? O que muda no corpo? São perguntas que acabarei tendo que observar responder mês a mês. E, claro, como dizem por aí: “O nosso corpo não é ciência de foguete” – não existem respostas objetivas e certas pra todo mundo. Nosso corpo, na verdade, é muito mais complexo que qualquer máquina construída pelo ser humano. Com um equilíbrio bem mais tênue. Assim, minha pretensão é apenas de abrir o diálogo com quem mais possa estar com tantas dúvidas como eu estava (e ainda estou).

Vamos falar mais sobre isso? Conte-me sua experiência! Eu prometo voltar aqui e contar mais como tem sido a adaptação e se realmente livrar-me dos hormônios artificiais melhorará minha vida e meus treinos!