Parar ou não parar: Eis a questão.

Ontem à tarde, corri minha primeira prova depois da lesão no meu pé esquerdo. Quando foi diagnosticada a sesamoidite, eu estava me preparando para correr uma Meia Maratona. Ontem, eu estava inscrita para uma prova de 10K (10.400m na verdade), na 6ª Etapa do Esquenta Panturrilha, Circuito de 10 provas organizado pela Nosso Time Eventos Esportivo, a mesma empresa responsável pela Meia de Curitiba, que seria a minha prova alvo do ano, que tive que desistir.

A organização estava perfeita. No Parque Náutico de Curitiba, lindo, com uma pista grande, larga, ótima para correr. O dia, também lindo, apenas muito quente e seco para os padrões curitibanos e o horário inusitado para uma prova de corrida: 16h00.

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Apenas para registrar, vi algumas reclamações de quem não conseguiu retirar seu kit. Os kits estavam sendo entregues na sexta-feira e no sábado, até o meio-dia, na loja Procorrer da Augusto Stresser. Tal informação foi amplamente divulgada nas redes sociais (páginas da Nosso Time, do Esquenta e até da Meia Maratona de Curitiba) além de constar do regulamento e de mais de um e-mail enviado aos inscritos (eu recebi ao menos dois nesse sentido). No entanto, alguns corredores queriam retirar na hora, dizendo que em outras etapas foi possível…

Pois bem, deixo que cada um faça o julgamento que quiser, se foi falha da organização ou dos corredores…

 

Eu e meu marido, na frente, e o Cédric mostrando a língua atrás (pensa em um amigo pra todas as horas? Ele e a esposa, Mel, são assim!)

Eu e meu marido, na frente, e o Cédric mostrando a língua atrás (pensa em um amigo pra todas as horas? Ele e a esposa, Mel, são assim!)

Porém, quanto a mim, quando o médico me liberou para voltar a correr, as ordens foram claras. Iniciar devagar, a partir dos 3K, aumentando gradativamente e sem forçar no ritmo nos primeiros 30 dias, quando então deveria retornar para uma reconsulta para a liberação definitiva (ou não). Expressamente o médico determinou: Sem treinos de tiros, intervalados e muito menos provas nesse período.

Não resisti e, como sempre, solicitei minha inscrição para a prova de 10K. Meu marido, que sempre corria a prova de 5, estava inscrito pela primeira vez na prova de 10K também, depois de tantas lesões (desde que começou a correr há dois anos e meio, já se acidentou de moto e depois fratura por stress nas duas tíbias).

Com o calor (ouvi dizer 27⁰, que é temperatura de alto verão por aqui, jamais esperada para o inverno…), confesso que ambos pensamos em nem ir… mas fomos. E lá, o dilema era completar ou não a prova. Ele, que queria estrear na distância, não sabia se era o ideal com aquele calor todo… eu, desobedecendo técnico e médico, não sabia como lidaria com a questão: O que seria pior? Insistir e fazer os 10K pelo simples motivo de que “sou brasileira e não desisto nunca?”, correndo o risco de ir ao médico na segunda-feira (consulta já agendada) e escutar que devo parar novamente,  ou aceitar as ordens, fazer apenas os 6K da planilha, em ritmo leve, ser desclassificada da prova, não pontuar no ranking do Circuito mas pelo menos não levar bronca de ninguém e  ficar com a consciência tranquila de que fiz tudo que era possível para me recuperar?

Pois então… Dada a largada, decidimos correr juntos, meu marido e eu. Avisei que correria o tempo todo dentro do pace determinado pelo meu técnico para o treino estabelecido na planilha: 6K em 6min/km. A prova era de duas voltas numa pista de 5.200m.

Apesar do calor, consegui manter de forma tranquila o pace determinado (antes da lesão, corria em torno de 5’20”min/km, mas 6 estava bom…) O calor exigiu que nos dois pontos de hidratação por volta, eu desse pequenos goles d’água e o resto fosse jogado na nuca (#ficaadica para quem está começando…), mas a dúvida sobre parar ou não dominava o meu pensamento…

Ah, faltando um km para concluir a volta, consegui engolir um mosquitinho… kkkkkk Não parei, não diminui… tossi um pouco mas depois brinquei com meu marido que estava ao lado: “Tudo bem! É proteína extra pra dar força na prova!”….

Pois bem, ao concluir a primeira volta (5.200m) eu estava bem, inteira, e sabia que podia correr mais. Mas por isso mesmo, resolvi parar. Tentei incentivar meu marido a continuar, destacando que mesmo ele não tendo corrido no ritmo mais forte dele, ele estava muito melhor do que muita gente que ficou pra trás e soltei um “Taca-le pau!” para fazê-lo rir, avisando que pararia quando completasse os 6K da minha planilha.

Ele, então, finalmente acelerou, me deixando pra trás e eu fiquei de olho no relógio. Quando marcou 5.700m, eu simplesmente dei meia volta e corri os outros 300m pela grama, sentido contrário da prova (quem me viu, deve ter me achado louca… eu não estava mal, eu não parei, só corri no sentido contrário…).

A sensação foi estranha. Primeira prova que não completo na vida. E decidi por isso bem, sem dor. O “treino” estava completo. A prova não. Missão cumprida por um lado, um gostinho amargo por outro… Levei um tempo pra ter certeza que tomei a decisão certa. Terei a consciência tranquila na segunda-feira ao fazer o meu feedback, tanto para o Coach, como para o médico.

Fui fazer uma massagem no stand da Ademilar e depois aguardar, ansiosa, pelo maridão na chegada…

Massagem pós prova é tudo de bom!

Massagem pós prova é tudo de bom!

Com cerca de uma hora de prova (considerando que a primeira volta foi comigo) e debaixo de Sol forte, meu amor terminando a primeira prova de 10K (10.400m)

Com cerca de uma hora de prova (considerando que a primeira volta foi comigo) e debaixo de Sol forte, meu amor terminando a primeira prova de 10K (10.400m)

“Sou brasileira e não desisto nunca”, sim. Eu não desisto de correr e por isso optei por parar, de acordo com o estabelecido pelo meu treinador…

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