Quebrei a cara. E agora?

Dia 29 de março.

Véspera de feriado. Visita em casa, exames médicos de rotina marcados. Marginal Tietê lotada, saio do trabalho mais cedo e passo no mercado pra comprar o lombo de bacalhau da páscoa que deixei pra última hora.

Tudo dentro na normalidade dessa vida maluca de advogada/dona de casa na maior cidade da América do Sul. Até que, em frações de segundos, eu viro o pé e dou com a cara no chão.

Uma poça de sangue imediatamente se espalha no piso do supermercado. Funcionários e clientes curiosos me cercam. O circo está montado. Todos os meus planos para o resto do dia, para o feriado e, no mínimo, para os próximos 15 dias, estão adiados.

Cena de novela ou de cinema pastelão. Pessoas se metendo sem saber nada de primeiros socorros, um gerente nervoso pra resolver a situação com o menor tumulto possível e sem processo judicial (não foi culpa do mercado, podem ficar tranquilos) e eu ali no chão. A coisa só acalmou um pouco quando uma cliente se identificou como médica e realmente acalmou os ânimos. Obrigada, Dra. Caroline! É tudo que sei dela.

Vim de ambulância ao hospital (já risquei da minha lista de aventuras a fazer o de andar de ambulância com sirene e giroflex ligados), fiz tomografia, descobri várias fraturas na face e no nariz, o qual tive que suturar também.

Pelos edemas, tive que marcar consulta com otorrino depois de 72 horas e só ontem, dia 03 de abril, passei por cirurgia corretiva, pelo que estou escrevendo agora da cama do hospital.

Estou me sentindo bem, graças a Deus. Mas resolvi tentar resumir aqui meu sentimento nestes últimos 5 dias.

Não, não é fácil. Mas juro que desde o momento de entrar na ambulância, veio um sentimento de gratidão. Eu, na maca, vi quantas pessoas estavam envolvidas em meu atendimento. E eu nem tinha chego ainda no hospital.

Igualmente, eu sabia que estava sendo encaminhada para um bom hospital e que o bombeiro que me pediu documentos e carteira de plano de saúde (mais gratidão – eu o tenho) tinha tido o cuidado de ligar e perguntar se teriam as especialidades médicas necessárias para me atender.

Ainda assim, claro que por muitos momentos tentei buscar explicação e pensei em energias negativas e até em “voodoo” (pausa para risos, por favor! Rsrs mas que pensei, pensei) e todas as vezes que pensei “por que comigo, Meu Deus?”, lembrei-me da médica que fez meu doopler vascular há alguns meses atrás que já me dizia que na verdade devemos pensar “e por que não deveria acontecer comigo? O que eu teria tão especial que não poderia acontecer nada de ruim comigo?” E essa pergunta, em vez de assustar, me consola.

Sim, sou humana. Considero-me uma pessoa boa, mas quem disse que pessoas boas não se machucam? Faz parte da vida e prefiro acreditar que alguém lá em cima sabe o que faz.

Eu realmente estava com muita pressa. Tanto que caí sozinha, sem tropeçar nem escorregar em nada. E se eu tivesse preferido pegar o carro e entrado na Marginal Tietê lotada “na pilha” como eu estava? Será que estaria aqui escrevendo agora? E será que eu seria a única machucada? Quero pensar assim e sou realmente grata por estar bem.

Não há um só médico que tenha me atendido e que não saiba que sou corredora e que quero voltar a correr o quanto antes. E todos estão me atendendo bem e me tranquilizando também quanto a isso. Não vou chorar (até pra não estourar os pontos) se tiver que dar uns poucos passos pra traz nos treinos que estavam começando a melhorar depois da lesão no rim. Até pra isso, talvez seja bom. Manter o ritmo mais devagar e o rim também ganhar mais tempo. Esperar e confiar.

Faz parte. É a vida. E sim, 2018 é o ano de cuidar da saúde acima de tudo. Mas chega de provações a partir de agora, né?

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