Fartos

Nesse momento estou num vôo Latam, indo a trabalho para São Luis, no Maranhão. O vôo só serve comidas pagas, dispostas no cardápio “Mercado Latam”, e eu penso, juro “ainda bem! Não terei lixo literalmente empurrado ‘goela abaixo’ só por que estou sentada sem ter o que fazer por cerca de 3 horas” mas sinto cheiro de comida e ouço o barulho de embalagens sendo abertas a todo instante ao meu redor. As pessoas, ainda assim compram uma infinidade de porcarias.

Abro o “Latam Entertainment” e procuro um filme para assistir. Tento Almodovar, não consigo prestar atenção. Troco para o nacional “o candidato honesto” e a sátira política mais me irrita do que diverte, então acho o documentário americano “Fed Up”, traduzido para o português como “Fartos”. Um documentário sobre como o governo americano não tem coragem de enfrentar o real inimigo que está matando seus jovens: a indústria alimentícia. Não trouxe nenhuma novidade para mim, que já li e já falei no Instagram sobre o excelente livro “Sal, Açúcar, Gordura” do vencedor do Pulitzer Michael Moss, mas ainda assim, é chocante por mostrar principalmente adolescentes travando lutas injustas com a balança, com a diabetes e tantas outras doenças, enquanto são bombardeados cada vez mais com lixo disfarçado de comida, com apoio ou ao menos conivência de governos. É fácil por a culpa no gordo. Chama-lo de preguiçoso. Mas por que, então, os índices de obesidade nos EUA crescem junto com os números recordes de inscritos em academias (dados do documentário)? A conta não fecha. No Brasil, embora eu tenha certeza que a realidade não seja a mesma que a dos EUA, certo é que também estamos caminhando cada vez mais para o junk food e para as comidas processadas, com os mesmos engodos do “light”, “menos gorduras”, “Açúcar da própria fruta”, “sem glúten”, sem isso ou aquilo. E a nossa população também está cada dia mais gorda. E mais aficcionada em musas fitness…

O que está errado? Cada vez mais estamos nos distanciando da comida de verdade. A minha geração, diferente da dos meus pais, já cresceu com refrigerantes (“o novo tabaco” pra dar mais um ‘spoiler’ do documentário que acabo de assistir) e estamos passando isso para nossas crianças. E quando tentamos ser saudáveis agora, o que fazemos? Em vez de ir pra feira, trocamos o cereal açucarado e o refrigerante por suplementos e bebidas esportivas com listas de ingredientes que talvez precisasse me formar em química pra ter uma ideia do que tem dentro… Nunca quis ser radical, já enfrentei sim alguns distúrbios alimentares anos atrás, suplementei bastante e não sou dona da verdade, mas ando pensando muito no assunto. Vamos comer bem de verdade? Comida de verdade, que vem da natureza e não de laboratório? Vamos pensar no que estamos fazendo de verdade com nossa vida, com nosso corpo? Assista “Fed Up”. Leia sobre os efeitos do açúcar. Informe-se de verdade. Lá no início do blog, quando a Fer escrevia aqui, ela falou sobre outro livro, o “Sugar Blue – o gosto amargo do açúcar”. Outra boa indicação. Pense antes do próximo gole de refrigerante.

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