Recomeços

Depois de um intervalo de um ano e dois meses sem escrever por aqui, hoje eu retorno ao blog.

Quem me acompanha via Instagram (@corremulher – siga-me por lá!) sabe que muita coisa aconteceu nesse período. Eu corri minha primeira maratona, depois mudei de casa, de estado e de trabalho, insisti em correr minha segunda maratona, consegui terminá-la e continuei insistindo em continar a fazer de conta que era possível manter a mesma rotina, até que no mês passado a saúde não aguentou, dei uma leve pausa e agora estou tentando recomeçar com calma…

Assim, como parte deste processo de recomeçar a treinar e aprender a respeitar a nova rotina, retomo, finalmente também o http://www.corremulher.wordpress.com como um exercício para compreensão de tantas mudanças e sobre o que a corrida representa na minha vida. Vocês me acompanham nesta nova jornada?

E como não sou a única que vi minha vida se transformar nos últimos tempos, nada como buscar inspiração em outras mulheres que viram a vida toda “encaixadinha” virar de cabeça pra baixo de um dia pro outro, fui conversar com minha amiga Luciana Muniz pra saber como ela lidou com as mudanças na vida dela para buscar inspiração e saber como a corrida se faz importante em nossas vidas. Confiram nosso bate papo e a história incrível dessa minha amiga que é uma “mulher maravilha” da vida real!

IMG-20171110-WA0022Corre,Mulher: Lu, em que momento, digamos assim, você estava em seus treinos quando precisou fazer uma pausa?

Lu: Eu já corria há quatro anos, já tinha feito duas meia maratonas e tinha perdido peso e evoluído na corrida. Eu estava em um momento muito bom, bem focada nos treinos e na dieta. Encontrava-me no peso ideal e comtreinos puxados de pista, naquela fase de tiroteios pesada, sabe? De repente, numa quinta feira no trabalho toca o telefone e tudo muda , a vida da um giro de 360 graus! (risos)

Corre, Mulher: É verdade! Sua vida teve uma reviravolta enorme há cerca de dois anos atrás, não é mesmo? Pode contar como foi essa surpresa?

Lu: Então… Decidi que queria ser mãe e como o casamento ou um relacionamento sério não aconteceu , resolvi partir para adoção na mesma época em que começava a treinar corrida. Informei-me sobre os passos e comecei a correr atrás do meu sonho. Separei a papelada solicitada e fiz o curso. Estava habilitada. No inicio fiquei animada , olhava muita coisa de bebê e sonhava com esse dia. Como começou a demorar, desencanei achando que esse dia não chegaria nunca.IMG-20171110-WA0020Ocorre que depois de quatro anos de espera na fila da adoção, toca meu telefone e a assistente social, do outro lado da linha, com a maior naturalidade fala: “Oi Luciana,tudo bem? Sua filha chegou !!!!!!! Amanhã às 14:00, você tem audiência com a juíza ,ok?” e desliga o telefone!!!!Meu Deus… era uma mistura de alegria e susto! Eu morava sozinha, trabalhava o dia todo e treinava quatro vezes por semana. Eu saia de casa cedinho e só voltava às 20h da noite depois de ter treinado. Como eu faria? Fui na audiência marcada para às 14 horas do dia seguinte. Às 15 horas já estava no lar para conhecer a Clarinha, minha filha! Como era uma sexta feira, a juíza disse que não liberavam crianças nos finais de semana, então eu teria que voltar na segunda para busca-la. Foi o fim de semana mais agitado da minha vida. Eu precisava mudar toda a casa para receber um bebê. Graças à Deus, ganhei tudoooooooooooooo no fim de semana! Cada um dos amigos com quem eu falava, tinha algo para compor o enxoval da Clarinha! O que as famílias organizam em meses, normalmente, fiz em um fim de semana!

Corre,Mulher: Mas e a corrida, como ficou? Foi muito difícil retomar a planilha? O que te fez voltar?

Lu:Nunca pensei em parar de correr pois me apaixonei pelo esporte, pela sensação depois que terminava de correr, pela mudança estética e pelos amigos que a corrida me apresentou.Claro que a chegada de um bebê muda tudoooooo! No início, eu me assustei e achei que não voltaria. Depois ganhei um carrinho dos amigos da corrida para que eu pudesse treinar com ela. Isso me animou muito e então coloquei na cabeça, mesmo não treinando forte como eu estava, que era melhor caminhar, trotar e aos poucos me acostumar com o peso do carrinho, mas desistir não estava estava nos meus planos. Meu lema era “Desistir jamais!!!!!!!!!!! Devagar e sempre!!!!!!”  Como moro em Curitib, nem sempre o clima permitia sair com a frequência que eu gostaria. Sair no frio sozinha para correr é diferente do que sair com bebê. Mas mesmo sem frequência, a corrida fazia parte da minha vida.

Corre,Mulher: E hoje, como estão seus treinos? Mudou a forma como você vê a corrida? E as suas metas?

Lu: Hoje eu treino, MAS NÃO COMO GOSTARIA AINDA. o meu objetivo é correr independente do pace. O importante é não parar. Saio com a Clarinha e corro 5km , 6 km. É o tempo que ela aguenta no carrinho. Quando a vovó fica com ela, que são raras as vezes, saio sozinha para correr na rua ou na esteira para não perder tempo no trânsito para chegar em algum parque. Minha meta no momento é conseguir correr três vezes na semana, conciliando trabalho, bebê, fazer mercado, limpar a casa ,cozinhar e tudo mais. Quando ela estiver perto de quatro anos sei que vou poder treinar novamente com assessoria , traçar novas metas e realizar algumas provas que tenho como sonho.

Corre,Mulher: Se pudesse dar um conselho para quem parou, por qualquer motivo – lesão, compromissos diversos ou um lindo bebezinho, como você – e que não está conseguindo voltar, qual seria?

IMG-20171110-WA0024Lu: Volte hoje. Independente se foi lesão, trabalho que consome seus horários ou a chegada de um bebê, volte hoje. Eu sempre penso assim: Ao invés de ficar no sofá, coloco tênis e saio correr. Ahhh, mas só meia hora??? Se eu só tenho esse tempo,mesmo sendo pouco, eu aproveito. Se o seu caso e igual ao meu com bebê , já digo que não e fácil mas não e impossível. Precisa apenas de planejamento e organização. A gente tem que se trocar, trocar o bebê, pegar carrinho, um brinquedo para distrair bebê, cobertinha, água , fruta… Dá trabalho mas no final vale a pena, pois liberou a tal da endorfina e pegou aquele ventinho no rosto!

 

 

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