Feliz Ano Novo!

Feliz Ano Novo? Em setembro?

Sim, em setembro. Este é o primeiro post do ano. Nem vou dar desculpas pois não há mimimi no mundo que justifique 10 meses sem postar. Muito trabalho? Sim! Muito treino? Sim! Uma resolução de ano novo de ser mais presente no blog totalmente abandonada? Também.

No Instagram, a minha definição consta como “Procuradora, Corredora e Blogueira, não necessariamente neste ordem.” Porém, neste último ano com certeza o lado procuradora e corredora ficaram muito à frente do lado blogueira. Talvez, nessa lista, ainda devesse entrar (pois sempre está bem na frente) o “esposa”, o “estudante” – sim, voltei a uma sala de aula depois de anos…

Aconteceram muitas coisas nesses últimos 10 meses:

Foi nesse período que fiz minha melhor Meia Maratona – Golden Four Brasília, ao lado da minha querida amiga Maiara Sanchez, super corredora, Ninja, que me puxou do início ao fim (e já tinha ido me buscar no aeroporto no dia anterior);

Foi nesse período que tive aula de ski e treinei corrida com sensação térmica de -26° no Canadá;

Foi também quando treinei para uma Meia Maratona em Nova York que foi cancelada com dois dias de antecedência por causa de uma previsão de tempestade de neve;

Foi nesse período que corri a prova mais longa da minha vida até agora – as 15 milhas de São Paulo, inteiramente ao lado do Kiko, que naquele mesmo dia foi promovido do status de amigo para Coach (além de permanecer amigo, claro);

Foi nesse período, também, que decidi correr a minha primeira maratona, me inscrevi e – agora – estou em treinamento…

E esse novo desafio – de pular dos pouco mais de 24K da prova de São Paulo para os míticos 42K tem me tirado o sono, feito com que eu questionasse muita coisa, que realmente eu precisasse me “fechar para balanço”, reavaliando o que a corrida representa na minha vida. Ainda estou nessa fase. Alguns longos animadores, outros que me fizeram chorar, literalmente. Ainda é um capítulo inacabado, mas que tem me feito pensar muito naquelas frases que podem parecer cliché, mas que me parecem muito certeiras, como a de Zatopek: “Quer correr, corra uma milha. Quer mudar a sua vida, corra uma Maratona”. Mas… que mudanças são essas? Ainda não sei, ainda não entendo bem mas algo começou a brotar desde o dia que, tremendo, digitei os números do cartão de crédito naquela inscrição…

Então, amigas, minhas sinceras desculpas pelo tempo afastada do blog e meu muito obrigada a quem permanece no Instagram, que continuo atualizando de forma praticamente diária. Pra terminar, vou citar um dos trechos de um livro que marcou minha adolescência e que agora, de uma forma diferente, me pareceu muito atual e adequada. Aos poucos, volto a escrever por aqui! Prometo!

“… tenha paciência quanto a tudo o que está ainda por resolver no seu coração e que tente amar as próprias perguntas como se fossem salas fechadas ou livros escritos numa língua muito diferente das que conhecemos. Não procure agora respostas que não lhe podem ser dadas porque ainda não as pode viver. E tudo tem de ser vivido. Viva agora as perguntas. Aos poucos, sem o notar, talvez dê por si um dia, num futuro distante, a viver dentro da resposta.

Talvez traga em si a possibilidade de criar e de dar forma e talvez venha a senti-la como uma forma de vida particularmente pura e bem-aventurada; é esse o rumo que deverá tomar a sua educação; mas aceite o que está por vir com grande confiança, e se ele surgir apenas da sua vontade, de uma qualquer necessidade interior, deixe-o entrar dentro de si e não odeie nada.”

Rainer Maria Rilke – Cartas a um Jovem Poeta

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