Corredoras dignas de admiração

Texto originalmente publicado em Vivo Esportes:

 O dia internacional da mulher é uma data para muito mais reflexão do que de comemoração, posto que lembramos de um passado trágico, quando em 8 de março de 1857 mulheres que pediam por condições dignas de trabalho foram trancadas e incendiadas dentro de uma fábrica em Nova York, Estados Unidos.

No entanto, nestes mais de 150 anos que se passaram, nós mulheres tivemos várias conquistas, sim, e aos poucos continuamos conquistando nosso espaço e reconhecimento.

Assim, como uma singela homenagem a toda a “classe feminina”, venho usar este espaço para homenagear algumas corredoras que ajudaram e ajudam a mostrar a força e o valor das mulheres no esporte. Não foi fácil escolher apenas 5, mas você sabe quem são elas?

1.  Na época do colégio, tentou ser líder de torcida. O pai torceu o nariz e, ao contrário do que se podia esperar, incentivou-a a pensar além dos papéis tradicionais da sociedade, mostrando que, mesmo mulher, ela poderia praticar esportes. Foi quando ela começou a correr e entrou para o time de Hóquei do colégio.

Em 1967, apenas homens corriam maratonas. Como o regulamento da Maratona de Boston permitia na época, ela fez sua inscrição apenas com sua inicial e sobrenome. Para os organizadores era tão absurda a ideia de uma mulher se inscrever, que nem se pedia para assinalar qual o seu sexo no formulário.

É bem verdade que tentaram retirá-la da rua quando perceberam que havia uma mulher correndo, mas os demais atletas (homens, claro!) a defenderam, para que pudesse concluir a corrida.

Assim, Kathrine Switzer, americana, foi a primeira mulher a correr a Maratona de Boston. Apenas em 1972 mulheres puderam correr oficialmente.

 2. Nascida em 1958, um ano após aquele incêndio que viria ser o marco da luta feminina, ela corria pelas vielas da Foz do Douro (Portugal) por que tinha medo do escuro. Gostava de ciclismo e natação, mas apenas por ser mais barato, passou a se dedicar ao atletismo e à corrida. Chegou a parar de treinar por problemas de saúde, diagnosticada com “asma de esforço” mas ela não desistiu.  Em 1981 voltou a treinar e foi encaminhada por seu técnico aos treinos de Maratona.

E não é que no ano seguinte, em 1982, participou da primeira Maratona Feminina realizada na história, na Grécia, que recriava o percurso originalmente feito pelo soldado Fidípedes? Não só participou, como venceu a prova!

Entre tantas medalhas e troféus, Rosa Mota conquistou a medalha de 3˚ lugar na Olimpíada de Los Angeles (a primeira com a prova feminina, em 1984), se tornando a primeira mulher medalhista olímpica de Portugal e, depois, o Ouro nas Olimpíadas de Seul (1988). Mas, entre nós, brasileiros, ela é lembrada por ter conquistado nada mais, nada menos do que seis – isso mesmo! –  seis títulos na nossa São Silvestre, entre 1981 e 1986.

3. Naquela mesma primeira maratona olímpica de 1984, uma corredora chamou a atenção. Ela adentrou o estádio com um esforço desesperado. Sofrendo com cãibras e muito desidratada, sofrendo com o Sol forte do verão americano, mal conseguia controlar os movimentos. Mesmo assim, toda torta, quase desmaiando, conseguiu completar a prova. Levou quase cinco minutos para fazer aquele curto percurso na pista de atletismo, fechando a prova em 2h48min42, o que lhe valeria tão somente o 37˚ lugar. Na época com 39 anos, Gabriele Andersen não podia desistir. Ela sabia que dificilmente conseguiria índice para participar de outra Olimpíada. Não subiu no pódio, não recebeu medalha, mas até hoje é lembrada como um exemplo de determinação.

4. Aqui no Brasil, as corridas também eram restrita aos atletas homens. A nossa prova mais tradicional, a São Silvestre, só teve uma edição feminina a partir de 1975, ou seja, há 40 anos atrás, ano que as Nações Unidas haviam instituído como sendo o Ano Internacional da Mulher.

No entanto, apenas em 1995 teríamos uma vencedora brasileira. A mesma brasileira que um ano antes tinha conquistado o recorde sul americano em Maratona (2:27:41, Boston, 1994), o qual persiste até hoje. No entanto, ela diz ser “vergonhoso” essa permanência, mais de 20 anos depois. Por quê? Por que faltam políticas sérias para o esporte que permitam que outras atletas o superem. Mesmo “aposentada” da corrida, Carmen de Oliveira continuou lutando pela valorização do esporte em nosso país e recentemente atuou como Presidente da Federação de Atletismo do Distrito Federal, sua terra natal.

5. Ela começou correr tarde, perto dos 30 anos. Estava achando que já era hora de se cuidar por que “já não tinha mais seus 20 anos” e, na rotina louca entre trabalho de tempo integral e cuidar da casa e da família, viu na corrida uma chance de se exercitar e se afastar do estresse. Às vezes sai de casa muito antes do Sol nascer para poder cumprir sua planilha. Outras tantas vezes, só consegue treinar à noite, depois de vencer todos os compromissos diários. Ainda, para definir as provas alvos, além do calendário, é preciso conferir o extrato bancário e as contas que vão cair mês a mês.

Aos poucos, ela vai superando seus limites, correndo distâncias mais longas ou diminuindo seu pace, sendo detentora de uma coleção invejável de medalhas.

Ainda não identificou quem é esta corredora? É você! Tenha certeza que você, atleta amadora, que paga pra correr, que não desiste qualquer que seja a dificuldade, que ainda assim bate recordes pessoais, você é digna de admiração e de aparecer nesta listagem!

Mas se você não se identificou, nenhum pouquinho que seja, com a descrição acima e está jurando que não, não é você a atleta de que eu estou falando, não se preocupe. Ainda dá tempo! Não tem idade para começar fazer aquilo que te faz feliz!

Feliz Dia Internacional da Mulher para todas nós!

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