O que faz uma grande prova?

Como todas as quartas-feiras, hoje é dia de coluna no site da Vivo Esportes. No entanto, resolvi publicá-la também por aqui…

Algumas provas são famosas pelas paisagens no caminho, outras por seu percurso plano ótimo para recordes, sejam eles mundiais ou pessoais. Ocorre, entretanto, que entre as chamadas “Mayors” – as grandes maratonas do mundo – não está nenhuma das provas brasileiras, apesar do Rio e Foz do Iguaçu terem paisagens de tirar o fôlego, mesmo Florianópolis e Porto Alegre estejam a nível do mar…

Há, também, entre as “Mayors”, aquelas que são famosas pelo seu público: Por que a cidade respira corrida. Por que os moradores saem às ruas,vão às janelas de suas casas e apartamentos apoiar os corredores e as crianças ficam nas calçadas esticando os bracinhos, dando seus “hi 5” e seus gritinhos de “vai” e “força” para todos os atletas. Nessas provas, o corredor se sente acolhido, abraçado, desde o momento que chega no aeroporto até a hora de ir embora.

Também, nenhuma prova brasileira se equipara a estas. Chegamos ao ponto de que, acredito que foi em uma coluna na Runner’s Brasil sobre este mesmo assunto, que li que estávamos caminhando para fazer da Maratona de Buenos Aires a grande maratona brasileira… Sim, isso mesmo, Buenos Aires, na Argentina, atrai mais brasileiros do que qualquer prova nacional…

Em matéria de público, apenas os 15K da São Silvestre pode ser lembrada quando se falam das grandes, mas ainda falta alguma coisa…

Curitiba tem pontos turísticos bacanas. As grandes provas costumam ter largada em frente ao Museu Oscar Niemeyer, algumas até passam em frente ao Jardim Botânico. Ainda, o clima por aqui costuma ser propício, mas, por outro lado, a altimetria afasta os caçadores de recordes.

Então, pode ser um sonho, mas pergunto: Por que não podemos nos destacar, inspirando-se em Boston, em Berlim, também pelo nosso público? Por que não envolver toda a cidade nos grandes eventos de Corrida de Rua? Por que não podemos quebrar o paradigma da famosa “frieza curitibana”, mostrando, como mostramos na Copa, que o nosso povo sabe receber os atletas e turistas? Por que não fazermos de Curitiba a “Capital da Corrida” no Brasil?

Ano passado, a partir de uma idéia do Luizz (também colunista por aqui) surgiu o #vemprarua na Maratona de Curitiba – idéia rapidamente “comprada” por muita gente bacana (Trainer AssessoriaProcorrer, o queridíssimo Glacymar entre outros), sendo organizadas algumas torcidas em locais específicos da cidade na prova realizada em novembro passado. E o movimento não morreu, pelo que sei, deve se repetir neste ano.

Acho que podemos, sim, ser essa cidade com ares de corrida de rua… mas não será de um dia pro outro, não será com mobilização para uma única prova. Temos que difundir o amor pela corrida. Temos que mostrar que uma maratona, uma vez ao ano, não vem atrapalhar o trânsito,ao contrário, significa uma opção a mais de lazer até para quem não corre. Temos que incentivar e divulgar a corrida como sinônimo de bem estar, mas também mostrar que podemos ter ídolos para ver de perto, mostrar que vale a pena investir em provas na cidade, que tem corredor para todas e que ligar alguma marca ao esporte alcança também o público dos não atletas…

Então, num primeiro momento, proponho passos de formiguinhas: Atitudes pequenas mas que ninguém pode dizer que não consegue. Nós, que corremos, que tal nos comprometermos a incentivar um amigo ou familiar que seja a começar a correr.

Dia 27 de julho, eu a a Gisely Blanc, figurinha carimbada dos pódios das provas de montanha, convidamos quem esteja procurando um “empurrãozinho” pra começar a correr ou quem já corre e esteja disposto(a) a compartilhar seu amor e experiência de corrida, para um encontrinho no Parque Barigui, às 09h00 da manhã.

Vamos lá? Maiores informações em breve no Facebook (corremulher e giselyblanc) e Instagram (@corremulher e @giselyblanc)

Ah, e que tal marcar #CuritibaCapitaldaCorrida em suas postagens nas redes sociais? Bora fazer acontecer?

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Motivação x Milagres

Sou brasileira e torci pela nossa seleção, claro. Muito embora sempre tenha dito que essa era a Copa da Alemanha, por motivos diversos que até incluem a qualidade de seus jogadores, eu acreditei que até mesmo a ausência de Neymar podia ajudar a trazer aquela famosa “garra” ao restante do time, imbuídos pelo “joga pra ele”… Mas não deu. E deu vergonha. E deu raiva… E eu desisti de ver o jogo. E queria que o árbitro apitasse logo, declarando o nocaute de uma vez.
Ora, motivação é importante, sim. Mas não faz milagres.
A Alemanha nos mostrou que trabalho sério e persistência dão certo. A estabilidade de uma equipe cuja base treina junto há 6 anos ganhou de uma equipe que nunca treinou na formação que se apresentou hoje. O Brasil não achou seu novo “Amarildo” que salvaria essa Copa, assim como aconteceu em 1962 quando o Pelé se lesionou. Mas nem toda a torcida brasileira, nem todos os pensamentos positivos, os “secadores” resolveriam e superariam o trabalho alemão.

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                          (Apenas pra tentar rir um pouco… )

Mas porque eu faço esse desabafo num blog sobre corrida? Por que, se eu me vi na dor do Neymar em sua frustração de ser arrancado da Copa por uma lesão, logo depois que eu também tive de adiar meu sonho mais humilde de correr uma meia maratona pela primeira vez, eu também senti o “tapa na cara” de que não basta acreditar, tem que fazer por merecer.
Motivação é importante, sim, repito, mas  para te manter no foco.  O resultado, no entanto, será reflexo das madrugadas frias em que levantamos pra correr enquanto todos ainda dormiam, das cervejinhas que recusamos, dos tiros que fizemos mesmo nos perguntando por que mesmo estávamos ali… Nessa hora é que todas aquelas frases e incentivos fazem a diferença. Porém, esperar por um milagre no dia de uma prova (ou de um jogo) é como rezar na véspera de uma prova final para que venha “uma luz” e se acerte todos os “chutes”…