A excelente prova realizada em Pinhais/PR

Pouco tempo atrás, ressurgiu no facebook do Corre, Mulher! a discussão da “pipoca” e acredito que até perdi leitoras por expor minha opinião contrária à participação em eventos esportivos sem a devida inscrição.

Mas, como o famoso argumento do  alegado valor abusivo das inscrições é bastante frequente (embora duvidoso, pois embora tenha realmente gente com dificuldades financeiras, conheço gente que dirige carro que vale mais do que meu apartamento e vai correr de pipoca mesmo assim), resolvi  tentar, dentro do meu alcance, fazer algo para mudar essa situação, mostrando que é possível participar de provas legais, tendo seu tempo devidamente aferido, eventualmente com kits bacanas, sem que tenhamos que gastar fortunas pra isso.

A primeira prova divulgada por aqui foi a realizada este domingo e foi realmente muito boa, para reforçar a idéia de que vale a pena participar dessas provas e me dar motivação extra pra levar pra frente o projeto “O Barato da Corrida” por aqui!

Estacionamento fechado. Segurança garantida!

Estacionamento fechado. Segurança garantida!

A 4ᵃ Corrida Rústica de Pinhais já começou nos surpreendendo:  A largada seria no Kartódromo Raceland, o qual cedeu o espaço de estacionamento fechado de forma gratuita. Não houve assim, qualquer preocupação com segurança ou qualquer extorsão por “flanelinhas” como ocorre em toda etapa do Circuito Adidas no Jóquei Clube, que tentam cobrar R$ 5,00 ou R$ 10,00 adiantados para “cuidar do carro” na rua e nunca encontramos ninguém por perto quando vamos embora.

Banheiro de verdade!!!

Banheiro de verdade!!!

Entrando no kartódromo já outra boa surpresa: os banheiros estavam liberados. Note-se que na Maratona Beto Carrero, em Penha/SC, embora tenha uma super estrutura no kartódromo e seja a inscrição mais cara que já paguei até hoje, os banheiros ficam interditados para os atletas, disponibilizando-se apenas banheiros químicos. Só quem já precisou de banheiro antes da prova tem noção do quão bom é ter um vaso sanitário de verdade e uma pia pra usar…. Então é sim de se destacar este ponto positivo da prova.

A prova teve largada pontual às 7h30, percurso totalmente plano e o único trecho (de aproximadamente 1,5km) que a rua não era asfaltada estava em boas condições e contava ainda com uma ciclovia de asfalto ao lado, para quem quisesse utilizar.

Durante todo o percurso, boa sinalização e bom controle pela organização e pela guarda municipal do Município nos cruzamentos, evitando buzinaços e/ou carros “tocando em cima” dos atletas.

O clima também ajudou. Embora quente, a manhã estava nublada. O único ponto negativo que posso afirmar foi quanto a distribuição de água. Havia 3 pontos de hidratação bem distribuídos nos 10K. Porém, talvez por falta de experiência do staff ou por falta de staff mesmo, não sei ao certo, a entrega dos copos d’água estava um pouco demorada.

A limitação em 1000 atletas garantiu a boa estrutura da prova

A limitação em 1000 atletas garantiu a boa estrutura da prova

No primeiro ponto, não consegui pegar água pois estavam tentando tirar a fita adesiva que lacra a caixa de papelão. Um amigo que passou por lá pelo menos 3 minutos antes relatou o mesmo problema. Quanto tempo se leva pra abrir uma caixa? E por que a caixa estava lacrada? Águas todas quentes também, o que eu nem reclamo, pois pelo que sei água muito gelada é ótima pra “quebrar” o atleta… mas no verão, na nuca, até que vai bem…

Durante a prova, segui as orientações do meu técnico que mandou pegar leve e lembrar que não se tratava de prova alvo. Embora estivesse com um dos técnico e dois colegas de assessoria que queriam aproveitar o percurso plano pra fazerem tempo, optei por largar de leve, um pouquinho pra trás deles para não cair na tentação de largar forte e acabar quebrando no final… Inicialmente, estava um pouco assustada, achando que o nível de todos era muito alto. Fiquei com medo de me ver muito ultrapassada e que isso me desestimulasse… mas ficando um pouco mais pra trás e ouvindo uma conversa ou outra das atletas, já me acalmei. Eu não era a única amadora por lá.

Minha chegada registrada pelo Tiago!

Minha chegada registrada pelo Tiago!

O percurso plano realmente ajudou e garantiu muitos recordes pessoais (do Tiago – técnico da Trainer, do Ricardo, do Luizz). Fiz a prova num ritmo mais ou menos constante e, quando pude avistar o relógio na chegada, já mudando do minuto 54 pro 55, apenas, é que dei um sprint final, garantindo também o meu melhor tempo: Passei na linha de chegada exatamente no tempo bruto de 55’29”, que era o meu tempo líquido da minha primeira prova. Terminei, assim, com 55’10” líquido, em 49˚ lugar geral e 10˚ na minha categoria – super feliz e orgulhosa dessa vez!

Mais fotinhos!

Com o Luiz, do blog Corridas do Luizz

Com o Luiz, do blog Corridas do Luizz

Galera Trainer

Galera Trainer

O resultado! 55'10"!
O resultado! 55’10”!

 

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O livro, a corrida e a tal sacola…

Outro dia eu saí atrás do livro “Correria”, do Jornalista Sérgio Xavier Filho, da Runner’s World Brasil, porque no último verão tinha me surpreendido com a leitura de “Nascido para Correr” e agora queria repetir a dose lendo sobre corrida. Só que não achei o livro pra comprar. Estava em falta.

Não lembrando de nenhum outro título e sem que as vendedoras me fornecessem grande ajuda (souberam apenas me indicar as prateleiras dos livros de Educação Física, mas eu não queria ler sobre técnica de corrida, eu queria algo que me inspirasse e motivasse…), fiquei perambulando na livraria, pensando o que compraria para ler neste verão e já  tinha desistido quando na fila do caixa – para pagar o livro “teen” que daria de presente para minha enteada, uma capa me chamou a atenção…

Tá, eu confesso!  Eu sou uma pessoa preconceituosa.

Eu sempre passei longe das prateleiras dos chamados livros de “auto-ajuda”. O meu discurso sempre foi de que livro de auto-ajuda só ajuda o autor e a editora.

No entanto, aquela capa branca com um “START” enorme em vermelho, e mais, dizendo “dê um soco na cara do medo”, não tinha como ignorar…

Chama ou não chama a atenção uma capa dessa?

Chama ou não chama a atenção uma capa dessa?

Eu ainda estava meio perturbada com minha reação na prova do Tingui e diante do resultado dela, motivo pelo qual, ao buscar algo sobre corrida, o que eu queria na verdade era algo que me ajudasse a lidar com meus sentimentos sobre corrida… e de repente alguém, descaradamente,  dizia-me pra dar um soco na cara do medo! E mais… mandava:  “Fuja da média”…

E se é pra confessar, confesso de uma vez… o medo da “mediocridade” sempre me perseguiu.  E por mais que muitas vezes eu tente me convencer que tudo bem “estar na média”, eu nunca me sinto muito confortável sentindo-me “mediana”…

Peguei então o livro e dei uma folheada. Dê cara, e sem qualquer contexto, li o seguinte: “Arrume um emprego de meio período”. Pensei: Embora esteja fazendo muitas horas extras, eu acabo de trocar meu emprego de cerca de 10 horas diárias por outro de 20 horas semanais… Vou levar este livro – diz aqui que é best-seller do New York Times e do Wall Street Journal, não deve ser de todo ruim… Comprei.

E não é que o livro é bom? Está me fazendo parar para pensar. E muito. Às vezes em minha relação com a corrida, outras no aspecto profissional (na verdade o livro é mais destinado à carreira.)

Jon Acuff, o autor, numa explicação muito resumida, trata da busca da grandeza. Não de dinheiro, nem de fama. Ele tenta mostrar que o que fará diferença lá no fim da vida, realmente, é que você tenha sido uma pessoa incrível, seja lá no que você fizer. E ser incrível não necessariamente quer dizer milionária ou famosa, mas eventualmente pode ser que dinheiro e fama até venham como consequência.

E de tanto pensar nestas questões, uma das figuras utilizadas no livro me chamou muito a atenção, inclusive a ponto de me fazer parar para postar uma imagem no Facebook e no Instagram prometendo uma explicação posterior.

O livro em certo  trecho fala de  uma universidade norte-americana que nem interessa agora certificar-me de qual exatamente, que teria feito um estudo e chegado a conclusão que temos um suprimento diário de força de vontade que é finito. Conclui o autor que se você vai dedicar 30 minutinhos do seu dia para ir em busca da sua grandeza (e ele defende que é possível em apenas 30 minutinhos, o importante é começar – lembra que o título do livro é “Start”?) – melhor que seja às 5h00 da manhã do que às 23h00. Por que? Porque ao longo do dia você já usou seu estoque de força de vontade e de motivação para resolver os problemas do trabalho que paga suas contas e para os pequenos probleminhas do dia a dia. Então, quando é que terá a maior chance de estar mais motivado? Quando estará com mais disposição? Será ao acordar mais cedo.

Nesse ponto, eu acabei identificando-me no que se refere à Corrida. Foi aí que imaginei-me carregando essa sacola, assim como a minha lancheira que carrego com minhas comidinhas fitness… Sai cheia de casa e retorna comigo vazia à noite.

A tal sacola que prometi dar explicações no Instagram...

A tal sacola que prometi dar explicações no Instagram…

Sempre treinei de manhã. Atualmente, pela mudança de emprego, tenho treinado à noite. E minha disposição não é a mesma. Eu continuo amando correr. E continuo dando prioridade para os meus treinos. Mas a força de vontade na hora de fazer um treino de tiro, por exemplo, não tem sido das maiores. Faço, mas faço tiros “medianos”…

Mas por outro lado, quando o treino é de rodagem fácil, esse vai tranquilo. Principalmente se for batendo papo com uma amiga. Nesses, minha preocupação é só cumprir a quilometragem, não me exige muito. Apenas serve para relaxar. Na minha cabeça, embora saiba que é necessário no conjunto do treinamento, o treino fácil não é pra melhorar a performance. É apenas pra desestressar.

Nos tiros,  eu precisaria de uma sacola cheia de força de vontade, para começar e também para não parar na metade. Se não uma sacola, seria ao menos algo parecido com um cinto de hidratação.  Na rodagem fácil não precisa de nada disso… qualquer restinho, um “golinho” que me faça calçar o tênis, é suficiente.

Queria terminar este post com uma conclusão incrível, mas ainda não posso fazer isso. Eu apenas repito que prefiro treinar de manhã, mas não sei se é uma verdade absoluta para todos. E também, pode ser que a corrida nem seja a paixão de todos que me lêem. Mesmo tendo lido até aqui, para alguns pode ser apenas um hobby e não tem nada de mal nisso. Talvez muitos só prefiram relaxar enquanto trotam no final do dia.

Vocês também carregam uma “lancheira” repleta de força de vontade com vocês e vão “lanchando” durante o dia pequenas doses de disposição? E a corrida? Ela se serve destes lanches ou funciona mais como uma “despensa” onde vão se abastecer?

Em tempo: Fazendo as pazes com meu troféu

Quando o Adriano Bastos, super atleta, foi participar da última Comrades (uma das ultras mais difíceis do mundo), depois de ganhar “trocentas” vezes a Maratona Disney, ele postou um texto, na minha opinião, horrível, falando do “péssimo” tempo de cerca de 6h nos cerca de 90K da prova. Na hora que li, achei-o babaca. Quantas pessoas não chegam nem perto de conseguir concluir provas menores, imagine 90K… e ainda era o brasileiro mais bem colocado…

Ressalvadas as devidas proporções, o post anterior escrevi ao ter o resultado e ver o quão perto cheguei de uma melhor colocação, mas depois de algumas horas refletindo, percebi que agi mais ou menos da mesma forma que o Adriano Bastos, por impulso, face a cobranças pessoais, e entendi o sentimento que o deve ter tomado.

Depois ele se desculpou e afirmou ter subestimado a prova, errando na estratégia e ter superestimado a si próprio.

Longe (mas longe mesmo!) de querer me comparar com o “Rei da Disney”, quero igualmente pedir desculpas.

Não nego que tenha ficado decepcionada, por que queria mais, sim. Mas certo é que subestimei a prova, mesmo conhecendo a altimetria. E subestimei as demais competidoras da minha categoria.

E, sim, tem razão quem me falou pessoalmente e/ou por comentário, de que eu deveria valorizar mais a minha conquista e meu primeiro troféu.

Orgulhosa, sim!

Orgulhosa, sim!

Obrigada a todos pela força que me passam a cada “curtir” em cada foto ou post. Eu sempre valorizei cada segundo que diminuía do meu tempo, como não vou valorizar um troféu???  Obrigada por me ajudarem também a crescer como pessoa e me fazerem ver quando estou errada. A corrida faz isso com a gente também. Nos proporciona auto-conhecimento. Ensina que de vez em quando é necessário retroceder um pouco, também. A vitória maior pode estar lá na frente e talvez seja mesmo necessário mais humildade pra enfrentar o asfalto.

Não sou, não, babaca, tá? Juro. E sempre quis que minhas pequenas conquistas incentivassem os outros a quererem correr também. Então, mais uma vez, só tenho a pedir desculpas!

E olha o sorriso no rosto quando recebi o troféu… a alegria também estava presente sim… não pensem tão mal de mim, ok?

Feliz, sim. Decepcionada também…

Quem for ler o “Quem sou eu” aqui do blog vai ver que defini, há mais de um ano atrás, como meta, conseguir um pódium nem que fosse só na minha categoria, em provas de 5 K.
Neste domingo, trouxe meu primeiro troféu pra casa. E foi numa prova difícil. Talvez a mais difícil que corri até hoje, com uma altimetria louca (apesar de não ser uma Mizuno Uphill, eram praticamente 4 dos 5K com as maiores subidas que já enfrentei…) e eu com a meta de conseguir ficar entre as melhores colocadas na categoria “advogada” já que a 18a. Edição da Corrida do Tingui – Prova mais antiga ainda realizada na capital paranaense – este ano teve patrocínio da Caixa de Assistência da OAB/PR.

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Eu  nem me inscreveria, por que já ultrapassei em muito a resolução de fazer apenas uma prova por mês, mas era a chance de troféu que me animou… E ainda acabei ganhando mais uma vez uma cortesia, por sorteio, da Procorrer, então a pressão aumentou, pous queria fazer valer a cortesia.
A semana anterior à prova não foi boa. Na terça, corri sozinha. Na quinta, depois de uma queda de pressão face o calor do dia mais quente de 2013 na região de Curitiba, teria treino de tiros de 400m, que, obviamente, não consegui fazer, mesmo a temperatura já estando mais amena. Acho, então, que tudo isso foi minando a minha confiança.
Pedi ajuda para um amigo, que se comprometeu a “me puxar” e graças a ele, eu acho, terminei a prova. Foram precisos alguns trechos de caminhadas e o Cédric me chamando… Acho até que se irritando com minhas respostas de “dói tudo”, “minha perna não responde”, “não dá mais”….  Mas no fim, deu.
O último km, fiz com pace de 4:30 e terminei a prova com 27:59, 4o. lugar na Categoria Advogada. Hoje, segunda-feira, ao ver o resultado oficial fiquei um pouco mais decepcionada comigo mesma… Foi tão pouca diferença! O meu tempo líquido foi menor do que o da 3a. Colocada! E só 7 segundos a mais do que a 2a… e apenas um minuto de diferença da 1a. Colocada!

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Erro de estratégia,não larguei tão na frente, e erro de avaliação quanto a dificuldade da prova… Eu lembrava da reportagem da Runner’s World de novembro sobre a necessidade de “treinar a cabeça” que eu até achava que estava melhor, mas nesta prova, perdi todas as discussões comigo mesma durante a prova… Eu pensava – é só cinco, vc já aguentou 10 – daí eu mesma dizia que os dez não tinham nem 1/3 das subidas… Eu pensava na meta do pódium, mas daí vinha logo o “já era, dane-se. Vou andar até o fim da prova.” Depois, eu tentava dividir o percurso e tentava focar numa esquina… É só até ali, eu pensava… Mas já via que adiante tinha uma subida mais íngreme ainda, o que me desanimava mais…
Desta forma, o sentimento que restou foi estranho. Um certo orgulho por cumprir minha meta de conseguir um troféu, mas um desapontamento por não ser nem a colocação nem o tempo que eu queria. E uma preocupação por saber que o que me segurou, na verdade, foi a cabeça e não as pernas.   Será que algum livro ajuda a gente a treinar a mente? Ou seria necessário um psicólogo? Será que só a experiência de mais e mais provas vão me ensinar a lidar com isso?  
Em duas semanas, encerro minhas provas de 2013. Minha segunda prova nos 10K. Sem metas. Percurso plano. Vamos ver como o cerébro se comporta…