O barato da corrida (ou em busca da corrida barata)

Vamos lá, mais uma vez, enfrentar o assunto polêmico…

PIPOCASou contra, sim, à “pipoca” em corrida.

E o argumento que mais ouço de quem é a favor é de que o preço é abusivo. Então não corra as provas caras, oras!

Eu não frequento restaurante que acho muito caro, e se a comida valer muito a pena, eu economizo e vou, de vez em quando.

Eu não compro nada que não tenho dinheiro pra pagar, não ando de ônibus pela porta de trás, então por que eu me daria o direito de utilizar de uma estrutura pela qual não paguei?

Daí fulano diz que a prova da Adidas é cara… se pensar bem, nem  é não… vai comprar uma boa camiseta para correr para ver quanto custa…  Ah, mas daí me responde que dispensa a camiseta… Nas provas mais baratas não tem kit. Por que, então, o mesmo fulano não corre nessas?

E não venham me dizer que pipoca não atrapalha. Atrapalha sim e eu vou dizer por quê:

1. Não tem como precisar o número de pipocas que aparecerão. Como saber se o local escolhido comporta tanta gente? Terá estacionamento próximo? E o staff, conseguirá manter tudo em ordem? Depois reclamam de má organização da prova, mas as empresas não têm bola de cristal…

2. Mentira de quem diz que “pipoca” não bebe água. Bebe sim. E das duas, uma. Ou faltará água, ou a organização comprou mais água do que seria suficiente para quem está inscrito, já considerando o número maior de pessoas. Neste caso, qual o resultado? Aumento de preço da inscrição pra quem pagou. Ah, só pra constar, já vi, de verdade, em prova, faltar medalha. E “pipoca” sair se achando o esperto por que conseguiu uma. Daí vai me dizer que é um ou outro que aceita a água? Ah, tá! Faz de conta que alguém acredita.

3. Desculpa se parece preconceito, mas pela minha mera observação, a maioria dos “pipocas” não tem comprometimento com o esporte. E, pelo que vejo, nunca são os que treinam sério. Logo, sim, eles estarão lá prejudicando aqueles que se preparam para a prova e querem bater suas metas. Serão muitas vezes aqueles que a gente tem que pedir licença para passar por que estão correndo (ou até andando) em linha, batendo papo… Quem treina sério, quer seu tempo registrado oficialmente, até por que há provas que exigem índice para inscrição.

4. E quando o pipoca até corre pra valer, atrapalha também na hora da chegada, quando precisa ficar um monte de staff gritando para que saiam pelas laterais. No mínimo tira a concentração e confunde muitos dos inscritos…

 

Então, se você era (por que espero, do fundo do coração, que pare para pensar e veja que não é legal) da turma da pipoca, eu faço uma promessa e um desafio para você:

Lancei outro dia a idéia no Instagram e no facebook: Em 2014 vamos dizer não à pipoca e prestigiar as provas mais baratas ou gratuitas? Eu prometo divulgá-las por aqui sempre e também participar mais delas… Vamos comigo?

Ainda, quem souber de provas acessíveis em qualquer lugar do Brasil (ou lá fora, por que não?) e quiser ver divulgadas por aqui, pelo facebook ou pelo Instagram do Corre, Mulher! é só me avisar, por e-mail, mensagem, comentário e até por sinal de fumaça… chegando, eu divulgo… Topa?Pelo Instagram, basta marcar #corremulher e #obaratodacorrida

Já no dia 15/12/2013, ainda este ano,  participarei da prova de 10K em Pinhais/PR, cuja inscrição exige apenas a doação de uma lata de leite e tem percurso predominantemente plano. Bora correr?

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A Maratona de Curitiba e os meus primeiros 10K

Difícil resumir em poucas linhas o último domingo, dia 17.

A expectativa era bem grande para correr pela primeira vez uma prova de 10K, ainda mais junto com a  Edição da Maratona Caixa de Curitiba, prova mais importante do calendário curitibano de corrida de rua.

Mesmo estando longe de poder enfrentar os 42,195m, o fato de poder fazer parte do evento, acompanhando de perto tantas histórias de superação, já era motivo de sobra para esperar pelo domingo com ansiedade. Mas, além disso, ainda esta prova tinha um motivo a mais para ser tão aguardada. Havia um movimento para chamar o povo às ruas para torcer pelos atletas. Idéia do Luizz, que estrearia em maratona justamente na prova, mas abraçada por outros corredores, em especial pelo Glacymar Rodrigues, gente boníssima que tenho orgulho de chamar de amigo.

Eu nem iria correr, mas um amigo que também estava querendo estrear na distância e insistia para que eu fosse junto … de repente eu vejo no facebook que a Procorrer, loja especializada em corrida, está sorteando inscrições para a prova e era só comentar… comentei e marquei o meu amigo… mas qual não foi minha surpresa quando fui uma das sorteadas!?! Ele teve que correr fazer a inscrição dele…

Então, pronto! Estava definido, eu iria finalmente estrear nos 10K, mas ao mesmo tempo eu já havia me comprometido a ajudar no apoio aos maratonistas…  A Trainer Assessoria disponibilizou guarda-sol e água, nós compramos Coca-Cola a pedido dos amigos, e meu marido e minha enteada montaram um ponto de apoio próximo ao km 37 da Maratona para oferecer apoio (e hidratação) aos amigos.

Claro que sofri um pouco na corrida (mas graças a Deus, sem dor no abdômen e/ou nas canelas!), claro que fiquei feliz com meu tempo de 55min29seg na minha primeira prova de 10K. Mas na verdade, verdade mesmo, é que o que foi mais marcante foi poder fazer parte, mesmo que só um pouquinho, da prova da Maratona…

Cheguei ao km 37 mais ou menos quando o primeiro colocado (queniano e bicampeão da prova) concluia o percurso com cerca de 2h20min. Nesse momento, a elite já tinha passado e ainda eram poucos os amadores que passavam por nosso pequeno ponto de hidratação. Estes, “gente como a gente”, que tem profissão, que paga pra correr, pra treinar, mas cuja força e determinação são de impressionar…  Uma hora depois começou a passar um número maior de atletas, aqueles que completariam a prova em menos de 4horas, feito super adimirável também e ainda em um ritmo forte para quem só tem mais 5km pela frente para fechar a prova…

Agora, por favor não me entendam mal, mas triste foi ver aqueles atletas que passaram por nós com cerca de 5 horas de prova.

Claro que são campeões. Claro que eu não faço o que eles fazem, claro que também é de se admirar a determinação, a força de vontade, continuando a prova, enfrentando cada quilómetro apesar de cãibras e outras dores tantas… Embora estivéssemos lá para atender nossa assessoria, como recusar água, Coca-Cola,ou até mesmo uma pedra de gelo para aqueles que nos pediam? Outros nem pediam, a gente oferecia por ver o sofrimento. Eram esses, claro, que além de hidratação, também os que recebiam mais aplausos e palavras de incentivo

Fiquei imaginando o que os levou a correr uma maratona. Uma promessa? O simples prazer (?) de correr? A vontade de provar para si mesmo ou para os outros que consegue?

Sim, eu quero correr uma maratona um dia. Mas quero estar preparada para ela. A gente nunca sabe como vai estar no dia – emoções, clima, alimentação durante a semana… tudo isso influencia… Mas não quero o martírio de correr por 6 horas sentindo dores o tempo todo.

Antes destes últimos atletas, um senhorzinho passou por nós ainda bem disposto, mas não se preocupou em diminuir o passo e pegar uma água, para nos contar que era sua 8a. Maratona, com 80 anos de idade.

É assim que quero ser. Não preciso de pressa. Posso me preparar com calma, mesmo que leve anos, pois a idéia é correr para o resto da vida, e que a vida seja longa e saudável…

Seguem algumas fotos!

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Halloween Night Run e a expectativa para os 10K

Tá, eu confesso. Andava meio desanimada.

Embora não pensasse em desistir, estava me sentindo um pouco “estagnada”, sem conseguir progredir na corrida. Alguém já passou por isso?

Quando comecei a correr, no início do ano passado, corria 5K em cerca de 33min. Na época que procurei a Trainer Assessoria, a minha meta era ser sub30. Em maio, alcancei o tempo de 25min34seg na Stadium Marathon e fiquei feliz da vida. Mas no mesmo dia comecei a sentir dor.

Quem acompanha o blog sabe que tive uma hérnia inguinal insipiente, que me fez diminuir muito o ritmo, de medo de voltar a sentir dor e ter que ir pra mesa de cirurgia…

Assim, apesar dos 25min07seg da primeira volta na Maratona de Revezamento Beto Carrero (que se discute a distância exata, pois marcou menos de 5K…), nas outras provas que competi de lá pra cá fiz, quando muito, suados 26min, o que estava me desestimulando um tanto quanto…

E meio “contra a vontade”, acabei concordando em me inscrever para correr 9K na Halloween Night Run, prova que aconteceu dia 25 de outubro deste ano, última sexta-feira (face mudança de data em cima da hora –  a prova, na verdade, estava agendada para o sábado, 26).

Mais uma vez, a “I Run” mostrou a que veio e fez uma prova muito bem organizada. Apesar da alteração de data e do frio no Parque Barigui, havia muitos corredores, entre os quais muitos fantasiados,entrando no clima da data. Ainda, muita música e até uma peça (chata, diga-se de passagem) do grupo de teatro do Clube Curitibano no palco. No final, rolou ainda o sorteio de dois pacotes para correr na Disney…

Quanto a prova propriamente dita, até que o uso das três pistas do parque (caminhada, corrida e pedal) comportaram bem o número de corredores.

Havia um pequeno trecho, entre o segundo e o terceiro quilometros, que passava em meio às árvores, totalmente escuro. Algumas bolas coloridas demarcando o caminho (ou seriam abóboras?) e algum “staff” com lanternas, mas se via pouco ou nada ainda assim.

Como o asfalto não era bom por ali, com depressões e remendos, logo de cara bateu o medo de virar o pé ou cair. Meu Deus, que desespero correr sem enxergar!!! E agora, enquanto escrevo, dou mais valor aos atletas com deficiência visual! Que coragem!

Nesse trecho, eu, como acredito que todos os demais corredores, tivemos que diminuir o ritmo (além do escuro e do asfalto irregular, ainda era a única pequena subida do trajeto!). No restante da prova, era só “amassar o chão” como diz meu treinador: Trajeto basicamente plano.

Além de um susto ou outro entre os zumbis, bruxas e vampiros espalhados no caminho, a I Run não economizou no staff, e provavelmente também não economizou também no treinamento do pessoal. Muita gente animada do ínicio ao fim da prova, sinalizando o caminho e incentivando os atletas. Gritos de “É isso aí!”, “Falta pouco”, “Muito bem, tá indo bem!” desde o primeiro quilometro, o que parece que aliviou um pouco o esforço e, palavras de amiga minha: fizeram a gente não sentir o percurso.

Corremos os primeiros 6K todos juntos. Somente no final, pouquíssimos metros da chegada é havia a separação, em que nós, dos 9K teriamos uma voltinha extra – mais 1,5K de ida e 1,5K de volta.

Somente nessa “voltinha” é que tive que me concentrar mais no ritmo e para me focar para continuar. E, sinceramente, acredito que a diferença nem foi por já ter feito outras provas de 6 e ser a primeira de 9K. O problema foi realmente manter o cérebro focado em continuar correndo apesar de já ter passado ao lado da linha de chegada…

Dividi o trajeto,então em duas partes. Era só 1,5K até a curva. Só isso… e, depois da curva (onde tinha um tapete verificador, para ver quem realmente correu o percurso completo), era só mais 1,5K… “Quem não consegue correr 1,5K?”, eu pensava…

Eu, que só tinha como meta terminar a prova sem andar, até pude esbanjar um pouquinho… Nos últimos metros, vi o Rick Nogueira, fotógrafo da Vivo Esportes, posicionado para clicar os concluintes. E eu estava alcançando uma menina que vinha na minha frente, chegariamos praticamente juntas. O que eu fiz? Não tive dúvidas! Reduzi o passo. Eu estava feliz de concluir a prova e queria um bom registro do momento. Não deixaria que braços de outra pessoa saíssem na minha frente. E não é que deu certo?

Poderia ter terminado a prova em 47 minutos redondos, mas fiquei feliz com os meus 47min17segundos e com a melhor foto de chegada que já fizeram de mim até hoje!

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Agora, é partir para os 10K, que serão antes do que eu imaginava! Ganhei inscrição cortesia da loja Procorrer para a prova desta distância que acontecerá dia 17/11, junto com a Maratona de Curitiba!